sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Memorinhas 1 - A. A. de Assis

Abril de 1970, durante o II Festival Brasileiro de Trovadores, em Maringá-PR. Presentes os mais prestigiados trovadores brasileiros da época, entre os quais Barreto Coutinho, médico pernambucano, então residente em Curitiba.
Barreto Coutinho é o célebre autor da trova mais bela e mais conhecida da língua portuguesa: “Eu vi minha mãe rezando / aos pés da Virgem Maria. / Era uma Santa escutando / o que outra santa dizia”. Numa rodada de trovas de humor, cometi um dos pecados mais graves de minha vida. Diante de Luiz Otávio, J.G. de Araújo Jorge, Aparício Fernandes, Magdalena Léa, José Maria Machado de Araújo, Maria Nascimento, Élton Carvalho, Vera Vargas, Colbert Rangel Coelho, Carlos Guimarães, e mais um punhado de grandes mestres da trova, deu-me na telha fazer uma paródia em cima dos lindos versos do Barreto: Vi minha sogra tentando / enrodilhar-se outro dia / Era uma cobra imitando / o que outra cobra fazia...
Imagine a reação do querido poeta. Pior: ele usava bengala. E a dita cuja soou impiedosa em minha cabeça. Até hoje dói. Não tanto pela pancada, mas pelo remorso de haver brincado com a obra-prima de um primoroso trovador.
Pedi desculpas, beijei-lhe as mãos. Ele sorriu. E disse apenas: “Tá bem, menino, mas de outra vez eu lhe ponho pimenta na língua!”

A. A. DE ASSIS
Maringá-PR

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