segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Poema - Paz - Carolina Ramos

P A Z

Eu quero a Paz de amar a toda a gente...
de ter leais amigos e, amplamente,
poder cantar e não sentir vergonha
por ver ao meu redor o amargo tédio
dos sonhos que agonizam, sem remédio,
no pranto que se esconde numa fronha.

Não quero a Paz do ilhado que, em si mesmo,
enterra o espinho recolhido a esmo...
nem quero a Paz das dúvidas caladas.
Desdenho a Paz cruel feita de medos,
que amarra pulsos... tranca em vis segredos
os anseios das almas conformadas!

Quero a Paz conquistada a todo instante!
A Paz estímulo que diz: - Avante!
Não, a Paz das renúncias doloridas,
Paz de omissão covarde que se oculta
no ríctus de um sorriso, Paz que insulta
os passos sem porquês de tantas vidas!

Não quero a Paz, tristonha e silenciosa,
da derradeira pétala da rosa
que entregue à brisa, sem destino, seca.
Eu quero a verde Paz das verdes folhas,
que sombra distribuem, sem escolhas,
ao pobre, ao rico, ao justo... e ao que mais peca.

Desejo a Paz do mar que beija a areia...
A Paz de crer que a vida não é feia!...
A doce Paz com gosto de Esperanças,
que se partilha e jovialmente rola
de mão em mão - qual colorida bola
de um irrequieto jogo de crianças!

Anseio a Paz serena do poeta!
Utópica e total.! A Paz completa
que vai além da vida, sem ser morte.
A Paz que desconhece desenganos,
que valoriza os méritos humanos
e ao trabalho enobrece e dá suporte!

.Paz de crer que o Amanhã ainda existe!
E que o mundo é feliz... e não mais triste,
o irmão abraça o irmão, fraternalmente.
A Paz fruto do Ideal, o mais sagrado,
de ver o mundo inteiro congraçado:
- a PAZ feita de AMOR... de AMOR, somente!...

CAROLINA RAMOS
Santos-SP

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